
É cada vez mais relevante a preocupação com o bem-estar e saúde mental do trabalhador, afinal, é no ambiente de trabalho que ele passa grande parte do seu tempo.
As cobranças e pressões do dia a dia, seja no trabalho, tanto no âmbito pessoal quanto profissional, podem ter um impacto significante no bem-estar mental e emocional das pessoas, e com isso, afetar a convivência, a saúde física e, consequentemente, a produtividade no seu trabalho.
Neste dia 28 de abril, Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, vamos explorar alguns aspectos relacionados aos cuidados que a organização pode ter para evitar doenças mentais ocasionadas no ambiente de trabalho.
Saúde mental e o impacto na relação com o trabalho
Auxílio-doença
Os índices de doenças relacionadas ao estado mental dos colaboradores têm crescido muito, e é cada vez mais comum as pessoas relatarem problemas como ansiedade, depressão, crises de burnout, entre tantas outras.
Uma parte do impacto causador da piora na saúda mental dos trabalhadores resulta da pandemia e pode ser quantificada: em 2020, houve recordes na concessão de benefícios de auxílio-doença e aposentadorias por invalidez relacionados a transtornos mentais.
Conforme matéria destacada no site do Tribunal Superior do Trabalho – TST, dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, em 2020 houve mais de 576 mil afastamentos, uma alta 26% superior ao ano 2019.
Desse total, o número de concessões de auxílio-doença pelo motivo de depressão e ansiedade foi de 213,2 mil, em 2019, para 285,2 mil em 2020, aumento de 33,7%. A duração média dos dias de afastamento é de 196 dias.
Dificuldade persistente
Apesar desses números consolidarem o período da pandemia, a situação não é nova e nem mesmo vem diminuindo, fazendo com que governo, empresas e profissionais tenham um outro olhar para as doenças mentais e reconheçam a sua relação com o trabalho, já que antes esses problemas eram vistos como algo pessoal, atribuído apenas ao colaborador.
As dificuldades relatadas pelos atendidos foram diversas e incluíam sobrecarga de atividades profissionais e domésticas, acúmulo de funções no trabalho, endividamento, incertezas em relação à saúde, medo do futuro, depressão, síndrome do pânico, metas de produtividade difíceis de atingir, gestão tóxica e dificuldades na adaptação do teletrabalho, entre outras.
Muitas dessas dificuldades persistem até hoje, considerando que a revolução tecnológica obriga todos os profissionais a se manterem atualizados e competitivos para permanecer ou progredir no emprego.
Absenteísmo
O absenteísmo, isto é, ausência ao trabalho, pode ser uma das características do profissional que está passando por problemas de saúde mental.
Faltas, atrasos, atendimentos médicos frequentes até chegar ao diagnóstico que pode evoluir para um afastamento afetam muito a empresa.
Um funcionário afastado pode significar perda ou atraso nas tarefas, custo com horas extras, sobrecarga à equipe e, ainda, a possibilidade desse acúmulo de trabalho afetar a saúde de outro trabalhador, e assim por diante.
O presenteísmo também é uma forma que ajuda a identificar o problema.
O trabalhador comparece ao seu local de trabalho, mas não está apto a desempenhar suas atividades. Diante de sintomas como depressão, ansiedade ou estresse, que causam falta de concentração, impedem ou afetam a qualidade do seu trabalho.
De qualquer forma, ocorre perda na produtividade e aumento de custo para o empregador.
Outros impactos da saúde mental deficiente
Qualquer tipo de doença ou afastamento prejudica as organizações podendo gerar impactos em diversos cenários. Por vezes, são problemas silenciosos que afetam todo o ambiente de trabalho.
Alguns desses impactos podem ser:
- Sentimento de fraqueza – na maioria das vezes, o trabalhador envolvido por estes sintomas não consegue detectar exatamente o problema pelo qual está passando. E não consegue falar sobre isso com outra pessoa. Quando descobre ou tenta se expor, fica com receio de passar por fraco ou ser mal interpretado pelos líderes ou colegas por sua condição.
- Desempenho e produtividade – seja uma indústria ou seja uma prestadora de serviço, a produtividade e qualidade do trabalho é muito importante para a gestão e lucratividade dos negócios. Entretanto, os colaboradores acometidos pelo problema e ainda sem diagnóstico, ficam sem motivação pelo trabalho. Podem faltar ou apresentar atestados com doenças não relacionadas ao trabalho que se manifestam pelo corpo, causando perda no seu desempenho e interferindo na produtividade, chegando até a situação de causar acidentes.
- Falta de engajamento com o trabalho – colaboradores que sofrem com depressão e ansiedade têm muita dificuldade de ter perspectiva de futuro fazendo com que não busquem por crescimento. E o medo do futuro faz com que peçam demissão.
- Conflitos na comunicação – um colaborador que esteja passando por algum transtorno mental pode afetar toda uma equipe de trabalho, seja desmotivando seus colegas de trabalho devido ao seu descontentamento, seja não conseguindo lidar com os conflitos dentro do ambiente, criando um comportamento mais ríspido e desrespeitoso.
Em casos mais graves de estresse esse profissional pode até mesmo partir para a agressão física contra seus colegas ou clientes, afetando de forma negativa a empresa.
Como cuidar da saúde mental – A importância de trabalhar com a prevenção
As empresas já são responsáveis pela saúde e segurança física de seus colaboradores no ambiente de trabalho e possuem normas obrigatórias de prevenção e proteção a eventuais doenças e acidentes ocupacionais.
Entretanto, cuidar da saúde mental do trabalhador começa a fazer parte da atribuição das empresas que reconhecem o impacto que essas doenças podem ter para a organização, o fluxo de trabalho e sua produção.
Para que a gestão de pessoas possa melhorar o ambiente de trabalho, tornando-o mais acolhedor e humanizado, pode tomar as seguintes ações:
- Promover uma comunicação aberta – a oportunidade de poder se expressar sem sentir que está sendo julgado é uma das melhores formas de começar a prevenção. Uma forma, é criar uma política de recepção e direcionamento de situações que possam estar ocorrendo com o trabalhador e com as relações dele na empresa, inclusive nas ocorrências de assédio de qualquer tipo.
- Fazer uma pesquisa de clima organizacional – certamente os resultados da pesquisa apontarão os focos a serem tratados. Cabe ao RH e a liderança analisar, eleger as propostas e levar adiante os processos para adequar o comportamento da empresa e à necessidade de ajuda aos trabalhadores.
- Reconhecimentos e plano de carreira: Saber que a empresa reconhece os esforços da equipe e que existe a possibilidade de um futuro dentro das organizações inspira e motiva os profissionais. Quando temos um objetivo dentro da organização e a possibilidade de crescimento, a busca por qualificação e a dedicação e resiliência frente às dificuldades são maiores.
- Inteligência emocional: Investir em treinamentos e cursos que promovam aos colaboradores uma melhor gestão de suas emoções é importante para que a organização venha a prevenir doenças mentais e até mesmo o suicídio que é um problema de saúde pública. Esse investimento também deve ser aplicado na liderança da empresa que precisa ser capacitada para reconhecer sinais de que a equipe possa estar sofrendo com esgotamento emocional.
- Atividade física: É muito importante que a empresa motive seus colaboradores a fazerem algum tipo de atividade física. Ela ajuda a liberar o estresse, ansiedade e alivia os sintomas de depressão, além da saúde física. Ter em sua gestão de benefícios convênio com academias pode fazer uma grande diferença para sua equipe.
- Sofrimento emocional x autocuidado: A saúde mental também é uma questão de autocuidado, na qual pessoa deve sempre buscar pelo bem-estar, estando acima da sua carreira profissional.
Sendo assim, o colaborador não deve aceitar ambientes de trabalho que possam causar sofrimento emocional como cargas excessivas de trabalho, intimidação emocional, acúmulo de funções, entre outros abusos que possam afetá-lo mentalmente, ficando atentos aos sinais para evitar doenças futuras.
A gestão do recurso humano
O trabalho é fundamental para realização do bem-estar mental, pois faz parte do objetivo da vida, permitindo à pessoa contribuir com a comunidade como um indivíduo com identidade pessoal e social, possibilitando segurança financeira e reconhecimento de sua utilidade.
Garantir que o ambiente da empresa para o trabalho se torne cada vez mais humano e saudável, reconhecendo e permitindo que o colaborador tenha o apoio e condições necessárias para realizar bem suas tarefas, é parte das atividades do RH.
O RH pode ajudar a desenvolver os planos e políticas a serem seguidos por toda a organização para gerir o recurso humano.
Enfim, as doenças emocionais são uma realidade difícil de lidar e saber identificar e trabalhar com a prevenção pode impedir que esse problema se agrave e venha a gerar um afastamento.
Quando as organizações passam a cuidar e tratar desse aspecto da vida de um de seus colaboradores estarão cuidando não somente dele, mas, de todos os demais participantes da empresa, criando um ambiente saudável e propenso à melhoria de sua produtividade.
Fonte:
Saúde mental no trabalho: a construção do trabalho seguro depende de todos nós – TST
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