
Há quatro anos, quando a pandemia levou empresas a adotarem o home-office, tivemos uma pequena amostra do quanto esse modelo de trabalho pode ser benéfico para o planeta.
Pesquisas realizadas com base nessa experiência revelaram que trabalhar de casa pode reduzir as emissões de carbono de uma pessoa em 54%.
Porém, recentemente, tem-se discutido bastante como essa abordagem também pode ser uma estratégia eficaz para proteger a saúde dos colaboradores e garantir a produtividade dos negócios em condições climáticas extremas.
Neste post, vamos explorar as vantagens do trabalho remoto dentro deste contexto, bem como as melhores práticas para garantir uma transição bem-sucedida.
Panorama sobre as mudanças climáticas
Em 2023, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o planeta passou da fase de “aquecimento” para a de “ebulição global”.
As ondas de calor mais intensas, tempestades severas, inundações e queimadas florestais são algumas das consequências dessa fase mais crítica da crise climática ambiental.
E infelizmente, nos últimos meses, tivemos a oportunidade de ver como eles podem nos levar a situações de extrema calamidade.
Entre o fim de abril e meados de maio de 2024, quase 95% das cidades do Rio Grande do Sul (RS) foram afetadas pelas chuvas que castigaram o estado.
Já em agosto de 2024, cerca de 68 mil focos de incêndio foram registrados no país, com mais de 80% concentrados na Amazônia e no Cerrado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O impacto desses eventos para os trabalhadores
Os exemplos apresentados acima não apenas comprometem ainda mais o meio ambiente.
Elas também afetam a saúde, a mobilidade e algumas vezes o local de trabalho ou moradia da população, impactando diretamente as relações de trabalho.
Com frequência, enchentes e deslizamentos provocados por fortes chuvas arrastam carros e pessoas.
Por sua vez, isso dificulta o deslocamento dos profissionais até seus locais de trabalho, especialmente para aqueles que dependem do transporte público.
Essas mesmas tempestades derrubam árvores que podem estragar a rede elétrica, afetando casas, comércios e até os serviços básicos.
Muitas escolas também acabam tendo que fechar as portas nessas situações, preocupando os profissionais que são pais e não têm com quem deixar seus filhos.
As queimadas registradas em agosto/2024 são outro lembrete recente de como as catástrofes climáticas podem afetar a vida e a saúde dos trabalhadores.
A fumaça tóxica provocada por elas foi apontada por profissionais da área da saúde como um motivo suficiente para manter as pessoas em casa, devido ao risco de causar desde desconforto respiratório até problemas cardíacos mais graves – que poderiam, inclusive, aumentar o absenteísmo nas empresas.
O papel do home-office em meio à calamidade
Como mostramos em um post anterior sobre home-office, muitas empresas decidiram retornar ao modelo presencial após o fim da pandemia.
Grandes organizações como Google, Amazon, Salesforce, justificam que o distanciamento e baixa interação entre as equipes, a falta de concentração nas atividades da empresa e até a queda nos resultados e faturamento tem relação com o trabalho remoto, entre outras percepções.
Todas essas empresas já definiram data de retorno ao trabalho presencial e estão no embate para trazer os colaboradores de volta.
Porém, os últimos eventos climáticos extremos e crises recentes, demonstraram de forma contundente a urgência de implementar políticas de trabalho mais flexíveis.
A incapacidade de se deslocar até o local de trabalho devido a enchentes, incêndios ou outras situações emergenciais evidencia a necessidade de as empresas estarem preparadas para garantir a continuidade dos negócios e o bem-estar dos colaboradores, seja um pequeno grupo ou toda a empresa.
Confira, a seguir, os quatro pontos que destacam a importância desta estratégia:
Segurança dos colaboradores
Permitir que os funcionários trabalhem de suas casas quando necessário é uma forma de evitar deslocamentos arriscados em condições climáticas adversas.
Isso é especialmente relevante quando chuvas fortes, enchentes ou queimadas comprometem a segurança nas vias públicas.
Redução de riscos de saúde
O home office minimiza, ainda, a exposição dos trabalhadores a poluentes e outras condições que podem ser prejudiciais à sua saúde.
A fuligem, por exemplo, podem provocar uma série de sintomas, como dor de cabeça, tosse e fadiga, além de agravar condições como asma e bronquite.
Tranquilidade para resolver questões pessoais
Durante as calamidades climáticas, as demandas pessoais tendem a aumentar, seja em decorrência de danos materiais ou da impossibilidade de enviar os filhos para a escola.
Quando os trabalhadores podem trabalhar remotamente, eles conseguem gerenciar essas questões com mais tranquilidade, o que também pode reduzir o estresse e ser benéfico para a saúde mental deles.
Manutenção da produtividade
Por fim, adotar uma política de trabalho flexível pode ser fundamental para preservar a produtividade dos colaboradores, mesmo em tempos de crise.
Afinal, com as ferramentas adequadas, eles conseguirão manter suas atividades sem interrupções significativas, evitando comprometer o funcionamento da empresa.
Como o RH pode apoiar esse processo?
Agora que já vimos como o home-office pode ser um aliado importante no enfrentamento das mudanças climáticas, que tal entender qual é o papel do RH nessa história?
Para criar uma política de trabalho mais flexível, que vise atender tato necessidades de empresa quanto eventos extremos, é importante que os profissionais da área:
- Definam claramente em quais situações e funções o home-office pode ser adotado;
- Determinem os procedimentos internos para solicitações de flexibilização do modelo de trabalho;
- Forneça os recursos tecnológicos necessários para que os profissionais consigam trabalhar remotamente;
- Preparem as lideranças para gerenciar equipes remotas quando necessário;
- Monitorem e avaliem continuamente o impacto das novas políticas e práticas de trabalho flexível, fazendo ajustes para melhorá-las sempre que possível.
Além disso, o RH também pode e deve colaborar com a área de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) e com a alta gestão para desenvolver planos de continuidade que garantam tanto a operação da empresa quanto o bem-estar dos colaboradores em momentos de crise.
Resiliência em tempos de mudanças climáticas
A pandemia de Covid-19 evidenciou a viabilidade e os benefícios do trabalho remoto, mas os eventos climáticos extremos dos últimos anos reforçam ainda mais a importância de políticas de trabalho híbrido ou home office nas empresas.
A capacidade de oferecer essa flexibilidade protege os colaboradores de riscos à saúde e segurança. Por outro lado, garante às empresas a continuidade dos negócios em momentos de crise.
No entanto, é primordial que as empresas estejam preparadas para essa modalidade de trabalho, investindo em tecnologia, treinamento e comunicação eficaz.
Ao equilibrar as vantagens do trabalho presencial e remoto, as organizações podem construir um ambiente de trabalho mais resiliente e adaptado às novas demandas do mundo contemporâneo.
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