
Os canteiros de obra enfrentam há muito tempo uma escassez significativa de profissionais qualificados. Incluir mais mulheres na construção civil pode ser uma solução promissora para esse problema, mas ainda existem barreiras a serem superadas.
Mesmo com os avanços recentes em prol da igualdade de direitos e nas relações de trabalho, a construção civil continua sendo um ambiente predominantemente masculino.
Segundo dados do Ministério do Trabalho, apenas 11% da força de trabalho do setor era composta por mulheres em 2021.
Neste post, vamos explorar as razões por trás desse número surpreendentemente baixo e mostrar por que está mais do que na hora de mudar as estatísticas. Acompanhe!
O que tem limitado o trabalho feminino no canteiro de obra?
Se olharmos para os dados históricos, veremos que a participação das mulheres na construção civil cresceu ao longo dos anos.
Em 2010, por exemplo, elas representavam apenas 7,8% dos trabalhadores formais do setor. Uma década depois, esse número subiu para 11% – o que significa que passamos de 207 mil para 251 mil mulheres na construção civil.
Apesar de esse crescimento ser positivo, ainda há muito espaço para melhorá-lo. E o primeiro passo para impulsionar essa mudança é compreender os fatores que continuam limitando a presença feminina nos canteiros de obra.
Entre os pontos principais, estão:
Estereótipos de gênero
No setor de construção civil, dominado por profissionais masculinos, as mulheres enfrentam maiores dificuldades para entrar no mercado.
Essa percepção reforça a ideia de que o trabalho na construção não é adequado para mulheres e que elas não são bem-vindas.
Como resultado, muitas mulheres acreditam que não possuem o perfil necessário para essas funções, que lhes falta a força física para certas atividades ou que não podem ocupar cargos de liderança sobre homens que sempre estiveram subordinados a outros homens.
Preconceito e assédio
Segundo uma pesquisa realizada pelo Portal AECweb e pelo Sienge Comunidade, o preconceito é considerado o principal fator limitante para a atuação feminina na construção civil.
Muitas das mulheres que atuam no setor ainda enfrentam discriminação por parte dos próprios colegas e às vezes até dos superiores, tendo muitas vezes que lidar com o sentimento de ter seus conhecimentos constantemente questionados.
O assédio moral e sexual é outro problema grave, que contribui para um local de trabalho inseguro e desmotivador para as trabalhadoras em geral.
Reconhecendo a gravidade dessa questão, o programa “Emprega + Mulheres”, divulgado em setembro /2022, atribuiu uma nova função à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).
Além de combater o assédio sexual e outras formas de violência no ambiente de trabalho para mulheres, também deve criar canais para receber denúncias e alternativas de acolhimento como apoio às profissionais prejudicadas.
Falta de infraestrutura adequada
Muitos canteiros de obra ainda não estão equipados com instalações que atendam às necessidades específicas das mulheres, como vestiários e banheiros apropriados.
Essa ausência de infraestrutura adequada tende a tornar o ambiente de trabalho menos acolhedor para essas trabalhadoras, desestimulando-as a permanecer ou até mesmo a ingressarem no setor.
Além disso, há uma falta de apoio em relação à licença-maternidade para mulheres gestantes, e dificuldades na conciliação dos horários de trabalho com a logística de creches e escolas para os filhos pequenos.
Desigualdade salarial
A desigualdade salarial entre homens e mulheres é uma situação que ocorre em diversos segmentos de mercado.
No entanto, para o setor da indústria da construção, a disparidade salarial ainda é gritante. Muitas mulheres recebem menos que os homens para desempenharem as mesmas funções, o que impede melhorar a participação feminina nesse segmento.
Para se ter uma ideia, o cargo de engenheiro civil possui uma diferença salarial de 38,6% entre os gêneros. Essa desigualdade não apenas afeta a motivação das profissionais, mas também reforça a percepção de que a construção civil não é uma área que as valoriza.
Falta de oportunidades para crescimento
A falta de oportunidades para desenvolvimento profissional tem dificultado o avanço do trabalho feminino na área de construção civil.
Para exemplificar, 67% dos profissionais entrevistados para a pesquisa do Portal AECweb e Sienge Comunidade disseram que é mais difícil conseguir uma posição de destaque sendo mulher na construção civil.
Muitas empresas e seus gestores ainda resistem em aceitar a autoridade das mulheres. Técnicos, mestres de obra e os profissionais de trabalho mais operacional frequentemente questionam sua capacidade de liderança.
Esse estereótipo sobre a falta de habilidade das mulheres em comandar equipes masculinas limita a criação de novas oportunidades.
Como o Recursos Humanos pode trabalhar e combater esses fatores?
Como descrevemos anteriormente, existem diversas dificuldades no setor da construção civil para aumentar a participação feminina nos canteiros de obras. Cada empresa pode enfrentar alguns desses desafios, todos eles, ou até mesmo outros além dos mencionados.
O RH mais uma vez desempenha um papel fundamental como catalisador, abrindo caminhos e facilitando a resolução desses obstáculos.
É necessário promover mudanças culturais e práticas na gestão e na empresa como um todo, preparando líderes e colaboradores com políticas que incentivem a contratação de mulheres na área. É nesse contexto que surgem as oportunidades.
Oportunidades para o RH na contratação de mulheres no segmento da construção civil
Dado o papel estratégico e abrangente do setor de RH, surgem várias oportunidades para mitigar os desafios existentes e promover a diversidade de gênero na construção civil.
Ao reconhecer o potencial das mulheres e os benefícios da diversidade, o RH pode se posicionar como um agente de transformação, promovendo um ambiente de trabalho mais justo e inclusivo.
Além disso, o RH tem a oportunidade de enfrentar um dos maiores gargalos do setor da construção civil: a escassez de profissionais qualificados.
Vamos saber como?
- Caminho para a falta de mão de obra qualificada
A construção civil enfrenta um cenário desafiador devido à falta de profissionais qualificados.
Incentivar a contratação de mulheres pode ser uma solução eficaz para suprir essa demanda, ao mesmo tempo investir na capacitação adequada para recém-contratadas ou ainda motivar as trabalhadoras internamente. - Diversidade como motor de inovação
Equipes diversas, com diferentes perspectivas e experiências, tendem a ser mais criativas e eficientes na resolução de problemas.
A inclusão de mulheres nesse segmento pode gerar novas ideias e soluções inovadoras para o setor. - Quebrando barreiras e construindo igualdade
É fundamental combater o preconceito e garantir a igualdade de oportunidades para as mulheres em todos os setores, inclusive na construção civil.
A contratação de mulheres contribui para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. - Desenvolvimento ou melhoria nas políticas da empresa
O RH desempenha um papel crucial na promoção da diversidade e inclusão nas empresas.
Através de políticas de recrutamento e seleção inclusivas, o RH pode atrair e reter talentos femininos na construção civil. - Benefícios para os empregadores
A contratação de mulheres pode trazer diversos benefícios para as empresas, como:
– Melhora da imagem institucional;
– Aumento da retenção de talentos;
– Maior engajamento dos colaboradores;
– Aumento da produtividade e da qualidade dos projetos.
A inclusão do trabalho feminino não só proporciona benefícios à empresa, mas também evidencia seu compromisso com a responsabilidade social, ajudando a construir uma imagem positiva e a estreitar os vínculos com a comunidade.
Por que reverter esse cenário?
Enfrentar essas dificuldades citadas anteriormente, pode ser uma solução eficaz para preencher a lacuna de profissionais qualificados na construção civil. Sem contar que, ao explorar diferentes perspectivas e experiências, o setor também pode ganhar eficiência e qualidade.
De modo geral, equipes mais diversas tendem a ser mais criativas e eficazes na resolução de problemas. Logo, a inclusão de mulheres na indústria da construção civil tem tudo para resultar em novas abordagens e soluções inovadoras.
Por último, reverter esse cenário também é uma questão de igualdade. Garantir que as mulheres tenham as mesmas oportunidades e tratamento que os homens, independentemente do setor de atuação, são essenciais para construir uma sociedade mais justa.
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