
A aplicação da metodologia da Saúde e Segurança no Trabalho em uma organização consiste em um conjunto de procedimentos que promovem ações para garantir a integridade física do colaborador. E uma das mais importantes ferramentas para esta atividade é a Matriz de Gestão de Risco, que auxilia na prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Com o advento do eSocial e a inclusão de mais uma etapa que trata da declaração dos eventos de Saúde e Segurança do Trabalho – SST – desde 2021, é fundamental que as empresas cumpram as regras definidas no manual do sistema eSocial com o objetivo de atender às exigências e não incorrer em notificações ou multas.
Deve ser considerado também todas as atualizações ocorridas nas Normas Regulamentadoras – as famosas NR´s, que trouxeram modificações e novas exigências como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), substituto do PPRA.
Diante de todas essas novidades ficou ainda mais evidente a necessidade de um planejamento adequado e amplo que consista em melhoria contínua das condições de trabalho das pessoas.
Desta forma, a Matriz de Gestão de Risco é utilizada para definir o grau de risco ocupacional que pode ocorrer nas atividades executadas pelo colaborador na empresa.
Essa avaliação é muito importante, visto que na execução das tarefas diárias pode haver riscos e é preciso tomar ações para evitá-los.
Definição de Risco Ocupacional
Existem muitas definições para esse termo, mas, podemos dizer que seria qualquer situação ou probabilidade de o trabalhador sofrer um dano como resultado de suas atividades laborais. Pode ser causado por um acidente como queda, ferimento por máquinas e ferramentas, ou doenças por exposição a agentes nocivos, isto é, alguma substância, energia ou condições que gerem dano à saúde do trabalhador.
Outra definição bem comum é que o risco ocupacional é igual a probabilidade multiplicada pela consequência do acontecimento.
A NR 1 no campo “Termos e definições” define o risco como:
Risco ocupacional: Combinação da probabilidade de ocorrer lesão ou agravo à saúde causados por um evento perigoso, exposição a agente nocivo ou exigência da atividade de trabalho e da severidade dessa lesão ou agravo à saúde.
O que é a Matriz de Gestão de Risco?
A Matriz de Gestão de Risco, ou simplesmente, Matriz de Risco é a ferramenta utilizada para determinar e reduzir os riscos que a atividade laboral pode causar à saúde dos trabalhadores, como doenças e acidentes. Esta ferramenta é conhecida também como Matriz de Probabilidade e Impacto.
Além disso, pode também ser utilizada para melhorar o desempenho geral das ações de segurança no local de trabalho.
A ferramenta proporciona a identificação do risco, dimensão do tamanho e severidade.
Sua apresentação em formato de gráfico facilita a visualização e análise para criar o melhor acompanhamento dos processos, facilitando assim o mapeamento das tarefas e desenvolver as ações necessárias para a prevenção de acidentes relacionados ao trabalho.
Esse conjunto de tarefas e ações para mitigar, isto é, reduzir ou eliminar essas possibilidades é conhecido como Plano de Ação.
Existem diversos modelos de matriz de riscos: AIHA, BS8800, entre outros.
A empresa precisa estabelecer qual modelo se enquadra ao seu padrão de operação do negócio. Pode até estabelecer um modelo próprio.
Contudo, os modelos buscam trabalhar com os itens probabilidade, severidade ou consequência.
- Probabilidade: quais são as chances de alguma coisa não sair conforme o planejado, isto é, qual a chance de o problema acontecer.
- Severidade/Consequência: caso ocorra, qual a gravidade, a consequência do ocorrido.
O gráfico é criado por meio destes questionamentos e análise de todos os cenários de trabalho.
A maior problemática da matriz de risco é justamente a diversidade de modelos e metodologias que são usadas para sua criação, fazendo com que os modelos não sejam padronizados e possam ter algumas diferenças entre eles.
Dicas de como implementar a Matriz de Risco
A criação de uma matriz de risco deve obrigatoriamente ser realizada por profissionais qualificados e conhecedores de todas as normas e instruções reguladoras disponíveis na legislação do Ministério do Trabalho e Previdência.
De forma simplificada, destacamos alguns itens abaixo para auxiliar nesta definição:
- Conhecer todos os setores e processos da empresa – da portaria a entrega final dos produtos e serviços, até mesmo da atividade de terceiros contratados, realizado dentro de ambiente da empresa;
- Mapear os riscos dos ambientes e funções – detalhar processos e as atividades dos cargos executores das atividades;
- Realizar entrevistas e análise da descrição de cargos – as entrevistas são validadores das informações levantadas no mapeamento. É fazer o batimento do mapeado x real;
- Criar a matriz de risco e classificá-los – definir as probabilidades e severidades dos riscos permitirá ter as escalas das consequências;
- Definir o plano de ação – elaborar as medidas de proteção e correção para evitar que os acidentes ocorram, além de plano do que fazer caso venha a ocorrer.
Para que possa se tomar as medidas corretas é fundamental ter conhecimento pleno sobre quais riscos cada atividade dentro da empresa pode provocar.
É preciso saber quais ambientes, equipamentos e atividades cada colaborador pode acessar e executar. Somente desta forma é possível fazer uma real gestão de riscos e é por meio deste mapa que se definem os exames ocupacionais a serem realizados, tipos de EPIs e até treinamentos que devem ser fornecidos aos trabalhadores.
Responsável pela emissão da Matriz de Risco
O engenheiro ou técnico de segurança do trabalho são os responsáveis pela elaboração da Matriz de Risco juntamente com a equipe de Saúde e Segurança do Trabalho.
Somente profissionais especializados no mapeamento, conhecimento das normas e nas possíveis aplicações poderá gerar e administrar a Matriz de Risco e seu plano de ação, considerando todas as regras das declarações para o eSocial.
Validade da Matriz de Risco
Sempre que houver uma mudança no ambiente a análise do risco deve ser revista.
Como este documento é feito para acompanhar o PGR, que deve ser atualizado anualmente, a Matriz de Risco também deverá ser renovada pelo mesmo período, ou sempre que houver modificações em qualquer condição.
Modelo de Matriz de Risco Ocupacional
Este é um exemplo básico da matriz de risco do tipo Qualitativa, que expõe o grau de Consequência (Severidade) de acordo com a Probabilidade.

Quem pode utilizar a matriz de risco?
Qualquer setor de produção ou operação de uma empresa apresenta riscos. Setores administrativos também podem apresentar algum risco, mesmo que seja mínimo.
A possibilidade de ocorrer um risco é o efeito da incerteza sobre um objeto ou evento e por conta disso ele precisa ser analisado para que por meio deste estudo os acidentes e doenças detectados possam ser evitados.
Desta forma, a matriz será aplicada para a avaliação de qualquer risco como riscos organizacionais ou de projetos de obras e fábricas, por exemplo.
Desde 09/03/2020 a nova NR 1 torna obrigatório o uso da matriz de risco no PGR:
“1.5.4.4.2 Para cada risco deve ser indicado o nível de risco ocupacional, determinado pela combinação da severidade das possíveis lesões ou agravos à saúde com a probabilidade ou chance de sua ocorrência”.
Papel do RH
O setor de RH, enquanto responsável pela gestão de pessoas, deve sempre estar alinhado com as ações e planejamento da empresa no que tange a segurança do trabalhador. Em conjunto com o setor de Saúde e Segurança do Trabalho, acompanha e pode até participar dos planos de ação.
De um modo geral, é o RH que apoia e organiza os treinamentos e capacitações. Pode também auxiliar nas campanhas e funciona como canal de comunicação entre as ações da empresa e os resultados esperados dos colaboradores.
O RH tem a possibilidade de atuar como observador e por consequência sinalizar comportamentos que precisem de ajuste na conduta, não eximindo o papel fiscalizador do prevencionista ou dos próprios gestores em relação às atividades diárias, a fim de evitar incidentes em cada local ou setor.
A integração entre o RH e a SST na prevenção e eliminação destes tipos de ocorrências gera inúmeros benefícios para a organização: de clima positivo de trabalho, engajamento, a economia a curto, médio e longo prazo, e torna a empresa mais competitiva no mercado.
Economia
Há ainda o custo financeiro envolvido na relação dos índices de acidentes de trabalho que são informados nas declarações entregues ao eSocial e Previdência (CAT).
Todos sabem que a atualização anual do percentual do FAP – Fator Acidentário Previdenciário reflete os acidentes informados em período anterior. Portanto, deve ser objetivo primordial de todos na empresa o cumprimento de padrões de segurança, com a fiscalização e monitoramento do setor Segurança do Trabalho. Menos acidentes, menos encargos.
Diminuir incidentes ou afastamentos por doenças do trabalho gera economia em diversos aspectos: redução nos custos de tratamentos médicos, menor custo com substituição de mão de obra ou hora extras, evita prejuízos de manutenção de equipamentos, aumenta a produtividade, evita multas e processos, entre outros motivos.
O sistema NydusRH é o software de gestão que possui a integração entre a gestão de RH e a Saúde e Segurança do Trabalho para facilitar ainda mais o controle dos riscos e das entregas das obrigações ao governo, sempre dentro do prazo.
Conclusão
A matriz de gestão de risco aponta as possibilidades de doenças e acidentes que podem ocorrer em determinado setor ou função, e assim as medidas de segurança podem ser planejadas e executadas.
A análise dos riscos que envolvem as atividades e os ambientes em um setor ou função é fundamental para que ele possa ser evitado.
Ao fazer o estudo dos riscos, categorizá-los e definir as prioridades, é possível planejar e garantir as ações que devem ser tomadas para manter a integridade física e a saúde do trabalhador, não esquecendo do atendimento às regras de legislação de segurança e do atendimento do eSocial.
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