
De acordo com um dado levantado pelo Infojobs, em 2021, 78% dos profissionais com deficiência já foram desacreditados por líderes e recrutadores! E isso destaca uma realidade alarmante: o capacitismo no ambiente de trabalho.
Este fenômeno, que se manifesta através de preconceitos contra pessoas com deficiência (PcD), impacta a vivência profissional de milhões de indivíduos ao redor do mundo. Somente no Brasil, a população com deficiência é estimada em 18,6 milhões.
Diante deste contexto, é indiscutível que as empresas busquem compreender o que é o capacitismo e, principalmente, o que podem fazer para combatê-lo.
É exatamente sobre esses dois pontos centrais que nos aprofundaremos nesse texto!
Capacitismo ou discriminação?
O capacitismo é um termo até pouco conhecido, mas é um conceito que coloca pessoas com deficiência em desvantagem em relação àquelas sem deficiência.
Trata-se de um preconceito social que envolve crenças e atitudes considerando as pessoas com deficiência inferiores ou incapazes de consideração, caracterizado por dificuldades e limitações impostas a elas simplesmente porque possuem deficiência.
Por outro lado, a discriminação é um termo mais amplo, que abrange qualquer tratamento injusto ou diferenciado de um indivíduo ou grupo com base em características específicas, como religião, raça, gênero, entre outros.
O capacitismo pode manifestar-se em diversas dimensões da vida da pessoa que possui um ou mais tipos de deficiência, sejam elas físicas, sensoriais, intelectuais ou mentais.
Ele se manifesta de diversas maneiras, veladas ou não, indo desde o estabelecimento de rótulos prejudiciais até a negação de oportunidades igualitárias no trabalho, na educação e em outros aspectos da vida em sociedade.
É importante dizer que o capacitismo é considerado crime no Brasil. Conforme o artigo 88, da Lei Brasileira de Inclusão (N° 13.146), “praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência pode gerar pena de reclusão, de 1 a 3 anos, e multa”.
Impactos do capacitismo para pessoas com deficiência
O capacitismo impõe uma série de impactos negativos para aqueles que são diretamente atingidos por ele.
Em primeiro lugar, as barreiras impostas pelas atitudes capacitistas frequentemente levam à exclusão social e profissional, fazendo com que as pessoas com deficiências se sintam isoladas e marginalizadas.
Além do mais, o estigma associado às diferentes deficiências pode impactar negativamente a autoestima da vítima que sofre essa discriminação. Isso porque o sentimento de ser considerado como menos capaz ou valioso tende a minar a confiança e a autoaceitação.
Quando o preconceito e as práticas discriminatórias estão presentes no local de trabalho, elas também dificultam a inserção e a permanência das pessoas com deficiência nas empresas, levando inclusive a taxas de desemprego desse grupo.
Para se ter uma ideia, os dados mais recentes do IBGE mostraram que a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho brasileiro é de apenas 28,3%.
Impactos do capacitismo para as organizações
Embora as pessoas com deficiência sejam as mais afetadas pelo capacitismo, elas não são as únicas. As organizações também têm muito a perder quando não combatem esse tipo de preconceito e discriminação.
De modo geral, esse é um problema que desencadeia uma série de outros, tais como:
- Exposição a riscos legais;
- Perda de profissionais qualificados;
- Clima organizacional negativo;
- Desmotivação da equipe;
- Enfraquecimento da marca empregadora.
É preciso considerar que alguns fatores como maior acesso à educação, incluindo formações mais técnicas, têm permitido que pessoas com deficiência (PcDs) se capacitem.
Adicionalmente, avanços tecnológicos em próteses e órteses, e tratamentos médicos específicos facilitaram o acesso à informação e a realização de atividades que antes eram consideradas impossíveis.
Com isso, as empresas correm o risco de perder profissionais qualificados para outras organizações que promovem um ambiente mais inclusivo.
Assim, o maior impacto da prática do capacitismo nas empresas é que ele as impede de acessar talentos diversos, com conhecimentos e experiências que certamente poderiam agregar valor ao time e contribuir para a melhoria organizacional.
Situações de capacitismo no ambiente de trabalho
Na maioria das vezes, o capacitismo se manifesta de maneira discreta.
Sendo assim, o primeiro passo para combatê-lo é saber reconhecer os sinais, mesmo quando eles não forem tão nítidos ou claros.
Entre as formas mais comuns de capacitismo no ambiente de trabalho, estão:
- Subestimar as habilidades de um profissional com base em sua deficiência, negando-lhes oportunidades de emprego ou promoções;
- Atribuir estereótipos negativos ou limitadores a pessoas com deficiência;
- Permitir comentários depreciativos, bem como piadas ou linguagem ofensiva, em relação a pessoas com deficiência;
- Não oferecer acomodações adequadas e acessíveis.
Como as empresas podem combater o capacitismo?
Observar os exemplos das situações indicadas anteriormente, e trabalhar de forma ativa para resolvê-los é fundamental para criar ambientes de trabalho inclusivos.
É preciso que todos os colaboradores se sintam valorizados e tenham oportunidades iguais de prosperar em seu local de trabalho.
Algumas práticas que o RH pode encabeçar para alcançar esse objetivo:
- Disseminar informações atualizadas sobre capacitismo entre os funcionários, seja por meio de treinamentos ou de comunicação interna;
- Rever e ajustar as práticas de recrutamento, garantindo a acessibilidade e a inclusão em todas as etapas – da divulgação da vaga à entrevista;
- Adotar políticas específicas para promover a contratação e promoção de pessoas com deficiência em todos os níveis da organização, bem como para punir os casos de capacitismo;
- Instituir um canal de denúncias anônimo, no qual os colaboradores possam informar o preconceito e a discriminação no ambiente de trabalho;
- Investir em ambientes de trabalho acessíveis, adaptando espaços físicos e fornecendo tecnologias assistivas para garantir que todos os funcionários possam realizar suas funções de maneira eficaz.
Ao adotar essas estratégias, as empresas não apenas combatem o capacitismo, mas também fortalecem uma cultura voltada para a Diversidade, Equidade e Inclusão – três aspectos que se conectam diretamente com as práticas ESG.
Vale dizer que a valorização da diversidade de habilidades e experiências não apenas amplia a base de talentos, mas impulsiona a inovação e a resiliência da organização, tornando-a mais competitiva em um mercado cada vez mais exigente.
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