
No mundo corporativo, o discurso de diversidade racial no ambiente de trabalho ganha força a cada dia, seja através de incentivo à reparação histórica ou com o objetivo de promoção da marca dentro da pauta.
Empresas que investem em ter um quadro de colaboradores diversos conseguem obter resultados concretos, entendendo como suas soluções podem impactar a vida de públicos distintos, promovendo geração de valor através de variados pontos de vista e alavancando a performance da empresa.
A inclusão racial também é um ponto que tem sido abordado e visto pelos consumidores e usuários de serviços, que tem exigido esse posicionamento das empresas.
O Brasil é um país conhecido pela diversidade natural, mas, apesar de ser um tema muito abordado pelas empresas, a diversidade ainda não é uma realidade na maior parte delas, como demonstra pesquisa do IBGE onde os negros correspondem a 54,9% de trabalhadores e apenas 4,7% são executivos em empresas.
Muitas ações que trazem visibilidade para a causa e maiores oportunidades de impactar positivamente a vida de pessoas pretas já são feitas, contribuindo com a sociedade e gerando emprego e renda para os menos favorecidos, porém ainda estamos longe de ter de fato empresas plurais e que realmente integram a diversidade.
A importância da diversidade cultural e como ela ajuda as corporações em seu desenvolvimento é um tema muito abordado com publicações e divulgações em redes sociais, blogs e matérias. Nesse texto, vamos falar mais sobre a expectativa de inclusão da diversidade racial e a realidade vista em muitas empresas.
A diversidade racial realmente é uma realidade nas empresas?
O Brasil é rico em diversidade seja em sua fauna, cultura e etnia, entretanto, quando olhamos para dentro da maioria das empresas ainda vemos um caminho muito grande a percorrer para realmente ter empresas plurais e ricas em diversidade racial.
A luta pela equidade racial está em atenção na mídia e muitas organizações se posicionam nas redes sociais, apoiando a causa sem preconceitos e julgamentos, mas quando olhamos para a quantidade de pessoas pretas em cargos de liderança, quais são funções a maioria exerce e a média salarial, é possível identificar um gap.
Segundo a pesquisa “Raça&Mercado de Trabalho: uma conta que (ainda) não fecha”, promovida em janeiro de 2022 pela consultoria de diversidade e inclusão Indique, em parceria com a agência Mindsight e a Visao, 45,7% dos entrevistados não conhecem uma pessoa negra que ocupe cargo de liderança.
Além disso, dentre os mais de 2.500 profissionais entrevistados, 21,4% ocupam cargos nível Júnior, 27,2% ocupam cargos nível Pleno e 14,4% são nível sênior. Quando olhamos para os cargos de liderança, esse número passa a ser 1,6% para Gerentes, 1,3% Coordenação e 1,2% Supervisão.
Quando olhamos para o salário, segundo o IBGE os profissionais negros ganham 31% menos que os profissionais brancos no Brasil.
Portanto apesar de muito se falar da pluralidade e diversidade ela está longe de se tornar algo que faz parte do cotidiano das empresas.
Quais ações precisam ser reforçadas para a aceitação da diversidade racial e inclusão nas empresas?
A primeira é a análise do quadro de colaboradores. Olhar para o cenário geral e entender o tamanho do gap contribui para a construção de uma cultura focada em políticas internamente de inclusão e diversidade.
Os aspectos culturais da empresa podem influenciar e dificultar o processo de diversidade. Por isso, fazer as ações de inclusão de forma adequada, incentivando a mudança do ambiente de trabalho e conscientizando os demais funcionários é crucial para gerar conhecimento e evitar atitudes racistas e preconceituosas.
O processo seletivo também precisa de atenção. Assim como tantas outras empresas têm feito, a área de recrutamento e seleção pode criar e disponibilizar vagas priorizando candidatos pretos, pardos e indígenas. Além disso, é importante que o RH também contrate um time de recrutadores que representem diversos perfis de profissionais.
Para auxiliar nesse processo, fazendo com que todos se sintam aceitos e representados, a empresa deve criar um comitê de diversidade, que terá como principal objetivo expandir e estabilizar a inclusão dentro da companhia de forma correta, para que essas ações não sejam apenas para atingir a cota ou que a contratação de colaboradores negros não seja apenas em posição de base, sem a oportunidade de crescimento profissional.
Mesmo sendo apontado como benéfico para as empresas, por promover maior conhecimento, criatividade e engajamento entre os colaboradores, ou até mesmo por um reflexo da nossa própria sociedade, muitas das ações de diversidades citadas não recebem investimento, ficando sem a oportunidade de serem implementadas e nem ao menos são vistas pelas empresas. Isso precisa mudar.
A importância do investimento nas ações de diversidade racial.
Entender como promover a diversidade e investir em criar ações efetivas de inclusão é capaz de mudar nossa sociedade, promovendo mais respeito e valorização das diferenças.
O movimento social de apoio à igualdade no meio corporativo tem ganhado força e empresas já apresentam ao mercado e para a sociedade seus cases de sucesso, mostrando os benefícios.
Uma empresa que aplica a pluralidade é reconhecida por sua diversidade e atrai mais pessoas que se identificam com a companhia, passam a ter interesse no que a empresa tem para oferecer e se tornam clientes promotores, atraindo outros possíveis clientes e se tornando desejada por candidatos que querem fazer parte da sua equipe.
Quando a empresa trabalha com a diversificação racial, ela também consegue reter profissionais dentro da empresa com mais facilidade, isso acontece porque, em um ambiente onde existe respeito e um clima organizacional que busca apoiar e aceitar seus colaboradores, a geração de engajamento e comprometimento torna toda a equipe mais produtiva e eficiente.
Os diversos pontos de vista que a pluralidade pode trazer dentro das organizações gera um grande ganho cultural e facilita o processo de formas diferentes de se pensar ao solucionar problemas do dia a dia, que podem ser difíceis de serem trabalhados quando ainda não tem uma diversidade em sua equipe.
Desafios da implementação de diversidade dentro das empresas
Quando falamos sobre implantação de diversidade dentro das empresas acreditamos se tratar de um processo fácil, entretanto, a realidade não é bem assim, pois não acontece do dia para a noite, precisando ser feito por etapas. Ainda assim, o importante é começar e abaixo você verá como.
Preconceito dentro das empresas: O preconceito contra as minorias é uma realidade e pode ser algo difícil de combater, principalmente quando se manifesta de forma muito sutil, por meio de brincadeiras que, mesmo sem a intenção, podem ser algo ofensivo.
Portanto, o combate precisa acontecer por meio da conscientização, investindo em realizar palestras e discussões sobre o assunto.
Comunicar os canais de denúncia:
As empresas precisam oferecer canais e investir em comunicação para garantir que possíveis denúncias sejam vistas e tratadas.
Quando a pluralidade é implantada na empresa, ela também passa a se preocupar com a forma que a comunicação é feita, se é inclusiva e atende a necessidade de todos.
Nos casos de vagas e processos seletivos, se as informações são comunicadas de forma correta, sem causar descriminação, assim como propagandas e post feitos nas redes sociais.
Não se cale ao sofrer racismo ou ao ver um colega sofrer racismo. Se necessário, utilize os mecanismos formais da empresa para fazer uma denúncia.
Veja também formas de promover outros tipos de diversidade
Como mencionado no decorrer do texto, são inúmeras as vantagens para a empresa que promove inclusão e diversidade.
Idade: Já sabemos que no mercado de trabalho diversos profissionais, quando chegam em determinada idade, tem dificuldade de serem contratados, a recolocação fica cada vez mais difícil mesmo com toda a experiência e, quando a pluralidade está na empresa, ela entende a importância de construir uma equipe com representantes de diferentes gerações.
Gênero: Quando falamos das mulheres, apesar de muitos anos de luta por igualdade, a diferença de salário e oportunidades entre homens e mulheres ainda é gritante. As mulheres recebem cerca de 70% da massa salarial obtida pelos homens. Por este motivo, é tão importante que haja igualdade entre as oportunidades oferecidas pela empresa.
Orientação Sexual: A maioria dos profissionais LGBTQI+ precisam buscar trabalho na informalidade e os que conseguem trabalho registrado, procuram esconder sua orientação sexual dos colegas por medo de preconceito, por isso é muito importante conscientizar a equipe e dar a oportunidade para esses profissionais.
Pessoas com Deficiência (PCD): Apesar da Lei de cotas, que acabou por gerar oportunidades às pessoas PCD e fazendo com que empresas tenham vagas específicas para essas pessoas, ainda é encontrado dentro das organizações fortes barreiras para a contratação desses candidatos, independente de suas qualificações. A forma da empresa se comunicar também pode ser alterada, seja para atender um colaborador surdo mudo ou até mesmo um estrangeiro.
Estrangeiro: Dar a oportunidade a pessoas de outro país também é uma forma de promover o enriquecimento cultural entre os colaboradores, que terão a oportunidade de ensinar e aprender sobre um outro país e idioma.
Conclusão
A cultura da diversidade tem sido amplamente divulgada na atualidade e de como a mesma pode beneficiar funcionários e empresas, promovendo mais conhecimento, criatividade, engajamento e produtividade, além de gerar oportunidades para as minorias da nossa sociedade.
O Brasil já é rico em diversidade e isso deveria ser algo normal em nossa sociedade e empresas, entretanto, na prática não é bem assim e muito do que consideramos como diversidade, fica esquecido pela sociedade. A implantação deste processo nas empresas precisa ser estudada e feita de forma adequada.
Portanto, não basta apenas que as empresas postem em suas redes sociais e sites que apoiam a diversidade e façam doações a instituições, também é importante que ela de fato tenha uma equipe plural e diversificada em raça, idade, gênero, orientação sexual e PCD, em diversas áreas das empresas, seja de liderança, produção e administrativo, promovendo, desta forma, a igualdade dentro da empresa.
E para que este processo tenha sucesso é fundamental investir em processos seletivos inclusivos, em preparação dos colaboradores sobre racismo, diversidade sexual, lideranças negras e femininas, para que, por meio do conhecimento, situações de preconceito e racismo sejam evitadas.
Também é importante que a empresa tenha regras claras sobre as punições a serem adotadas nos casos de atitudes preconceituosas, assim como investir no preparo dos colaboradores considerados como minoria, para que esses consigam se desenvolver e crescer dentro da empresa, de forma a competir de igual para igual em cargos de liderança.
Também vale ressaltar que, apesar da diversidade ser uma realidade distante na maioria das empresas, a discussão sobre o assunto é fundamental para que as oportunidades possam ser geradas.




