
Promover a segurança e o bem-estar físico dos colaboradores sempre foi uma questão importante para as empresas. No entanto, nos últimos anos, a saúde mental do trabalhador também passou a exigir uma atenção igualmente séria, especialmente no setor da construção civil.
Esse foco em ascensão é respaldado por pesquisas recentes, que mostram, por exemplo, que 66% dos profissionais atuantes na construção civil apresentaram transtornos de ansiedade moderados ou graves.
Neste post, vamos explorar as situações que colocam a estabilidade mental desses trabalhadores em risco e discutir como o Recursos Humanos pode ajudar na mudança desse cenário. Acompanhe!
Quais fatores estão impactando a saúde mental do trabalhador na construção civil?
Assim como as questões que impactam a segurança e a saúde física dos trabalhadores da construção civil, as enfermidades relacionadas à saúde mental também podem ser desencadeadas por uma variedade de fatores.
Entre as principais, destacam-se:
Pressão por prazos
A constante necessidade de cumprir prazos é uma realidade para quem trabalha na indústria da construção. Isso muitas vezes resulta em jornadas de trabalho longas e exaustivas.
Esse ambiente de pressão extrema tende a elevar os níveis de estresse, a ansiedade e o esgotamento, afetando negativamente o estado emocional do trabalhador.
Condições de trabalho adversas
Ruídos altos, poeira, variações climáticas extremas, alturas… Trabalhar nos canteiros de obras é ser confrontado, diariamente, com uma série de situações desafiadoras que impactam muito mais do que a saúde física.
Juntos, esses fatores também aumentam a sensação de vulnerabilidade e o desgaste mental dos colaboradores.
Desvalorização da profissão
Como abordamos no post sobre os desafios do RH para o setor, a falta de reconhecimento e valorização ainda é um problema comum.
Essa desvalorização muitas vezes se reflete em salários baixos e oportunidades limitadas de crescimento, o que gera desmotivação, problemas de autoestima e sentimento de frustração por parte dos profissionais.
Medo do desemprego
A construção civil é, hoje, um dos setores que mais gera emprego no Brasil. Porém, não há dúvidas de que ele também é um dos que enfrenta mais instabilidades.
Esse contexto pode criar incertezas e inseguranças entre os trabalhadores, aumentando os níveis de ansiedade e afetando seu bem-estar mental.
Isolamento
É comum que os trabalhadores da construção civil sejam designados para atuar em outras cidades ou até estados diferentes, ficando longos períodos afastados de suas casas, famílias e amigos.
Essa ausência de convívio social e familiar pode gerar sentimentos de solidão e tristeza. Em casos mais graves, pode até levar à depressão.
Situações de assédio
O assédio no ambiente laboral também afeta diretamente a saúde mental do trabalhador, gerando um clima constante de medo e desconforto.
Embora esses eventos possam atingir todos os gêneros, é importante destacar que as mulheres que trabalham nessa área são especialmente vulneráveis a ele.
Como esses fatores impactam o desempenho do setor?
Os problemas relacionados à saúde emocional dos trabalhadores da construção civil têm um peso significativo no desempenho do setor como um todo, podendo trazer as seguintes consequências:
- Redução da produtividade, dificultando a conclusão de projetos dentro dos prazos estabelecidos;
- Aumento da probabilidade de acidentes nos canteiros de obras, colocando em risco a segurança de todos os colaboradores;
- Elevação dos índices de absenteísmos (os afastamentos devido a transtornos de saúde mental aumentaram 38% no Brasil em 2023);
- Comprometimento da capacidade de retenção de talentos;
- Deterioração da qualidade das relações interpessoais, que pode levar a conflitos e criar um clima organizacional negativo;
- Geração de custos adicionais para as empresas, incluindo despesas com assistência médica, licenças prolongadas e a necessidade de substituir pessoal.
O papel do RH na promoção de um ambiente saudável
Nos últimos anos, o departamento de RH tem assumido um papel central na promoção da saúde psicológica no ambiente de trabalho.
Entre as iniciativas que o setor pode liderar para apoiar o bem-estar dos trabalhadores da construção civil, destacam-se:
- Implementação de programas de treinamento e workshops sobre saúde mental, com o objetivo de conscientizar líderes e colaboradores sobre a importância do tema;
- Estabelecimento e divulgação de políticas claras que abordem o assédio moral e sexual, além de outras questões que impactam a estabilidade mental dos profissionais;
- Disponibilização de suporte psicológico e emocional;
- Realização de pesquisas de clima organizacional e avaliações regulares para monitorar as condições de trabalho e seus impactos no bem-estar psicológico das equipes;
- Atualização constante sobre as legislações vigentes, como a nova Lei 14.831, de 2024, que institui o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental.
Além de implementar as ações acima, também é importante que o RH esteja atento às melhores práticas do mercado.
Se tornar uma empresa Great Place to Work (GPTW), por exemplo, pode ser um excelente caminho para promover um ambiente de trabalho saudável e atrativo para os trabalhadores da construção civil.
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