
Em janeiro, o Fórum Econômico Mundial (WEF) lançou a mais recente edição do estudo “Futuro do Trabalho”, apontando as mudanças que os profissionais e organizações devem esperar até 2030.
Uma das conclusões do relatório é que a escassez de habilidades continua sendo a barreira mais significativa para a transformação dos negócios — desafio que, aliás, também abre portas para oportunidades.
Aqui, você confere alguns insights relevantes do estudo e, sobretudo, como o RH pode atuar como um agente de transformação diante desse novo cenário!
Profissões e habilidades em pauta
Comecemos pelas boas novas:
Segundo o relatório do WEF, as tendências mundiais em transformação devem gerar 78 milhões de novas oportunidades de emprego até 2030.
No total, estima-se que 170 milhões de novas funções sejam criadas e 92 milhões destituídas.
Esse cenário reflete mudanças impulsionadas pela Inteligência Artificial (IA), automação, robótica e inovações na geração, armazenamento e distribuição de energia.
Em contrapartida, a previsão é de que 40% das habilidades exigidas no trabalho devam mudar. Inclusive, 63% dos empregadores entrevistados no estudo citaram esse problema como a principal barreira que enfrentam.
Na sequência, vamos explorar cada um desses pontos em mais detalhes:
Profissões em crescimento x em declínio
Em geral, o futuro do trabalho indica um crescimento acelerado em áreas tecnológicas e de sustentabilidade, além de um aumento na demanda por profissionais da linha de frente, do setor de cuidados e da educação.
Por outro lado, algumas funções administrativas, secretariais e operacionais tendem a perder espaço, à medida que a automação e a digitalização ganham força.
Veja, abaixo, as funções com previsão de crescimento e de declínio mais rápidos para 2025-2030, apontados pela pesquisa do Fórum Econômico:
Principais funções com mais rápido crescimento

Tradução das funções com maior crescimento, do maior para o menor, conforme ordem no gráfico acima:
1 – Especialistas em Big Data; 2 – Engenheiros de Fintech; 3 -Especialistas em IA e Machine Learning; 4 – Desenvolvedores de Software e Aplicações; 5 – Especialistas em Gestão de Segurança; 6 – Especialistas em Armazenamento de Dados; 7 – Especialistas em Veículos Elétricos e Autônomos, 8 – Designers de Interface e Experiência do Usuário (UI e UX); 9 – Especialistas em Internet das Coisas (IoT); 10 – Motoristas de Serviços de Entrega; 11 – Analistas e Cientistas de Dados; 12 – Engenheiros Ambientais; 13 – Analistas de Segurança da Informação; 14 – Engenheiro de DevOps; 15 – Engenheiros de Energia Renovável
Principais funções com declínio mais rápido

Tradução das funções com declínio mais rápido, do maior para o menor, conforme ordem no gráfico acima: 1 – Funcionários de Serviços Postais; 2 – Caixas Bancários e Cargos Relacionados; 3 -Operadores de Entrada de Dados; 4 – Caixas e Atendentes; 5 – Assistentes Administrativos e Secretárias Executivas; 6 – Trabalhadores de Impressão e Cargos Relacionados; 7 – Contadores, Auxiliares de Contabilidade e de Folha de Pagamento; 8 – Atendentes e Condutores de Transporte; 9 – Assistentes de Registro de Materiais e Controle de Estoque; 10 – Vendedores Porta a Porta, Vendedores de Jornal, Ambulantes e Cargos Relacionados; 11 – Designers Gráficos; 12 – Peritos de Seguros, Examinadores e Investigadores; 13 – Oficiais Jurídicos; 14- Secretárias Jurídicas; 15 -Operadores de Telemarketing.
Habilidades que serão mais exigidas
O relatório “Futuro do Trabalho 2025” também joga luz sobre as habilidades técnicas (hard skills) e comportamentais (soft skills) que os empregadores consideram essenciais para a sua força de trabalho.
Como veremos abaixo, elas são moldadas, em grande parte, pelas rápidas transformações do mercado, bem como pelo impacto das inovações tecnológicas:

- Pensamento analítico (69%)
- Resiliência, flexibilidade e agilidade (67%)
- Liderança e influência social (61%)
- Pensamento criativo (57%)
- Motivação e autoconhecimento (52%)
- Alfabetização tecnológica (51%)
- Empatia e escuta ativa (50%)
- Curiosidade e aprendizado contínuo (50%)
- Gestão de talentos (47%)
- Orientação para o serviço e atendimento ao cliente (47%)
- IA e Big Data (45%)
- Pensamento sistêmico (42%)
- Gestão de recursos e operações (41%)
- Confiabilidade e atenção aos detalhes (37%)
- Controle de qualidade (35%)
- Ensino e mentoria (26%)
- Redes e segurança cibernética (25%)
- Design e experiência do usuário (25%)
- Multilinguismo (23%)
- Marketing e mídia (21%)
O upskilling e o reskilling como soluções estratégicas
Com novas funções e habilidades em ascensão, as estratégias de upskilling e reskilling foram apontadas como as principais aliadas das empresas que esperam se manter competitivas nos próximos anos.
Para facilitar o entendimento sobre essas técnicas, vamos explicá-las separadamente!
O que é o upskilling?
Em resumo, o upskilling é uma abordagem focada no aprimoramento das habilidades dos profissionais dentro de sua própria área de atuação.
Ou seja, ele busca capacitar colaboradores para novas ferramentas, metodologias ou tecnologias, garantindo que eles acompanhem as demandas do mercado.
Por meio do upskilling, é possível manter os trabalhadores constantemente atualizados sobre as tendências e evoluções de suas respectivas funções, permitindo que eles se tornem mais eficientes, produtivos e preparados para desafios futuros.
Na prática, isso não apenas contribui para o crescimento individual, mas também fortalece a competitividade das empresas.
Entre as estratégias de desenvolvimento que podem ser usadas no upskilling, estão, por exemplo:
- Treinamentos e workshops
- Cursos online (EAD)
- Aprendizagem baseada em projetos
- Programas de mentoria
- Microlearning
O que é o reskilling?
O reskilling, por outro lado, envolve a requalificação dos profissionais para que possam atuar em novas funções – ou seja, para que desempenhem papeis diferentes daqueles exercidos atualmente.
De modo geral, o reskilling pode acontecer de duas formas:
- Quando o próprio profissional busca aprender novas habilidades para se requalificar e ampliar suas competências.
- Quando a empresa enxerga a possibilidade de desenvolver seus talentos internos para ocuparem novas funções criadas pela evolução de seus processos.
Esse movimento vem se mostrando fundamental em setores onde a automação e a digitalização estão reduzindo a demanda por determinados cargos, permitindo a transição dos trabalhadores para novas oportunidades dentro da organização.
Colocando o upskilling e o reskilling em prática
Para entender o peso que essas duas estratégias terão no futuro do trabalho, basta olhar para esse comparativo feito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF):
Se a força de trabalho global fosse representada por um grupo de 100 pessoas, projeta-se que 59 precisariam de requalificação (reskilling) ou aprimoramento das habilidades (upskilling) até 2030!
Nesse sentido, a pergunta que fica é: como aproveitar essas abordagens ao máximo?
A seguir, listamos as principais etapas para implementar ambas as técnicas com sucesso:
- Mapeamento das competências que já existem na equipe e quais serão necessárias para os desafios futuros, a fim de definir as prioridades;
- Definição de planos de desenvolvimento individual (PDI), a fim de equilibrar o crescimento do colaborador e as necessidades estratégicas da organização;
- Investimento em treinamentos, workshops, cursos online e outras iniciativas que estimulem o aprendizado contínuo dentro da empresa;
- Valorização do desenvolvimento de competências como parte da cultura da empresa, o que pode ser feito, por exemplo, a partir do reconhecimento das conquistas alcançadas;
- Coleta regular de feedbacks, para que seja possível ajustar as estratégias conforme necessário.
O RH como agente de transformação
As tendências apontadas pelo relatório “Futuro do Trabalho 2025” não apenas revelam desafios, mas também criam oportunidades valiosas para o RH assumir um papel estratégico na transformação cultural e digital das empresas.
Diante das mudanças no mercado, cabe à área apoiar a identificação de lacunas de habilidades, bem como promover o desenvolvimento contínuo, tanto dos colaboradores quanto de suas próprias equipes.
Para isso, algumas ações serão fundamentais:
- Mapeamento das competências que estão em falta e quais precisam ser aprimoradas.
- Investimento contínuo em programas de desenvolvimento e capacitação, como, por exemplo, o upskilling e reskilling, garantindo que os profissionais evoluam junto com as novas demandas do mercado.
- Adoção de metodologias ágeis, experiências imersivas e tecnologias como Inteligência Artificial para tornar a aprendizagem mais eficiente e acessível.
- Construção de ambientes de trabalho mais adaptáveis, colaborativos e inovadores, onde a aprendizagem e o desenvolvimento sejam parte da rotina.
Cada vez mais, torna-se nítido que o RH é muito mais do que um setor operacional. Sua atuação abrange desde a atração e retenção de talentos até a construção de uma cultura organizacional forte e adaptável.
O impacto do RH no apoio à gestão de pessoas muito além da administração de processos – ele está no centro das decisões que impulsionam o crescimento sustentável do negócio.
Ao adotar um papel estratégico, o RH contribui para a inovação, fomenta a diversidade e garante que a empresa esteja preparada para os desafios do futuro.
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