Liderança feminina: o poder transformador das mulheres nos negócios

Basta olhar as pesquisas mais recentes sobre liderança feminina para perceber que esse é um assunto marcado por dualidades.

Nos últimos anos, por exemplo, as mulheres conquistaram avanços importantes em cargos de gestão. Mas, ainda assim, atualmente elas representam menos de 40% dessas posições.

Neste post, vamos falar sobre os obstáculos que essas profissionais enfrentam para crescer na carreira e, sobretudo, como podem transformar as empresas quando recebem o apoio necessário!

Participação das mulheres em cargos de liderança

Segundo o estudo Women in Business 2024, da Grant Thornton, o Brasil ocupa a 10ª posição entre 28 países com mais mulheres na liderança, com 37% dos cargos de gestão ocupados por elas.

Veja:

Fonte: https://www.grantthornton.com.br/insights/artigos-e-publicacoes/women-in-business2024-cenario-brasileiro/


Embora esse número represente uma queda de 2% em relação ao ano passado, há motivos para comemorar:

Apenas 8% das empresas brasileiras entrevistadas nesta edição da pesquisa disseram não ter nenhuma mulher em cargos de alta gestão.

Na versão de 2015, por exemplo, esse número era de 57%, mostrando que houve sim uma mudança otimista ao longo dos anos.

Uma parte desses avanços pode ser atribuída ao maior reconhecimento da importância da diversidade no ambiente corporativo, bem como à implementação de políticas mais inclusivas.

Além disso, iniciativas governamentais também têm contribuído para ampliar as oportunidades e promover a equidade de gênero no mercado de trabalho.

Esse é o caso, por exemplo, do Programa Emprega + Mulheres, lançado em 2022, e da Lei de Igualdade Salarial, sancionada em 2023.

É importante lembrar que, apesar das conquistas, ainda há muitas barreiras a serem ultrapassadas.

Além de continuarem sendo minoria em cargos de gestão, o 1º Relatório de Transparência Salarial mostrou que as mulheres recebem 19,4% a menos que os homens.

Em cargos de dirigentes e gerentes, a diferença de remuneração é ainda maior, chegando a 25,2%!

Os desafios das mulheres no caminho para a liderança

Se você está se perguntando por que ainda há muito mais homens do que mulheres em cargos de gestão, saiba que a resposta não é simples.

Há diversos fatores contribuindo para essa realidade e tornando a ascensão feminina um percurso cheio de obstáculos.

Entre as principais barreiras enfrentadas, destacam-se, por exemplo:

Preconceitos e estereótipos de gênero

A ideia equivocada de que as mulheres não são naturalmente aptas para liderar ainda é um estereótipo de gênero presente em muitas organizações.

Como resultado, elas têm suas capacidades subestimadas e questionadas com mais frequência do que seus colegas homens, o que, muitas vezes, pode levá-las a serem preteridas em processos de promoção.

Dupla jornada de trabalho

Atualmente, estima-se que 8 em cada 10 mulheres vivem dupla jornada de trabalho.

Isso significa que, para além do emprego remunerado, elas são as principais responsáveis pelos afazeres domésticos, bem como pelos cuidados com filhos e outros familiares.

Esse acúmulo de funções faz com que muitas não consigam abraçar as oportunidades de crescimento profissional.

Sem contar que as mulheres com filhos enfrentam, com frequência, um preconceito adicional no ambiente de trabalho, o que dificulta ainda mais sua ascensão na carreira.

Falta de representatividade

A frase “representatividade importa” pode soar clichê para alguns. Mas a verdade é que ela tem muito fundamento.

Sem referências femininas em posições estratégicas, profissionais qualificadas podem sentir que a liderança não é um caminho viável para elas.

Falta de políticas inclusivas

Em meio a tantos obstáculos, é necessário que as empresas adotem medidas concretas para incentivar a liderança feminina.

Afinal, sem políticas inclusivas eficazes, a trajetória das mulheres em direção a cargos executivos continuará sendo limitada.

Desigualdade salarial

Como vimos, até mesmo quando chegam à liderança, as mulheres ainda enfrentam uma diferença salarial significativa em relação aos homens na mesma função.

Esse fator pode minar a motivação e a permanência delas nesses cargos, reforçando ainda mais a desigualdade de oportunidades.

Razões para romper com esses desafios

Quando as mulheres recebem o apoio e empoderamento necessários para crescerem profissionalmente, tanto elas quanto as organizações saem ganhando.

O primeiro impacto positivo está na riqueza de perspectivas que a diversidade de gênero na liderança é capaz de proporcionar.

Algumas pesquisas mostram, por exemplo, que as mulheres líderes são mais confiantes em relação às suas habilidades humanas, como:

  • Empatia

  • Atenção plena

  • Comunicação

  • Pensamento criativo

  • Resiliência

  • Inteligência emocional

Quando colocadas em prática, essas habilidades contribuem para a construção de ambientes de trabalho mais agradáveis, que potencializam o desempenho e a satisfação dos colaboradores.

Vale lembrar que a diversidade de gênero também fortalece a inclusão e a representatividade, fazendo com que todos os colaboradores se sintam encorajados a evoluir.

Como o RH pode impulsionar a liderança feminina?

Como vimos, contar com mulheres na liderança é uma estratégia inteligente para melhorar a produtividade e garantir uma cultura corporativa mais positiva.

E o RH, como você já deve imaginar, desempenha um papel fundamental nesse processo.

Dentre as ações que o setor pode adotar para apoiar a ascensão da liderança feminina, destacam-se:

  • Oferecer programas de mentoria e desenvolvimento específicos para apoiar o desenvolvimento de habilidades de liderança nas mulheres da equipe;

  • Implementar políticas flexíveis, que ajudem as profissionais a equilibrarem suas responsabilidades profissionais e familiares;

  • Promover uma cultura organizacional inclusiva, onde a diversidade de gênero seja celebrada;

  • Estruturar processos de recrutamento, seleção e promoção imparciais, que favoreçam a igualdade;

  • Estabelecer metas de diversidade de gênero, visando aumentar a representatividade feminina nas posições de liderança;

  • Oferecer treinamentos para todos os colaboradores sobre estereótipos de gênero e vieses inconscientes;

  • Criar grupos de afinidade ou redes de apoio específicas para profissionais mulheres.

     

Considerações finais

Resumindo, há diversos caminhos que podem ser trilhados para garantir que as mulheres se sintam apoiadas, respeitadas e motivadas a alcançar seu pleno potencial.

E o melhor é que, ao fazerem isso, as organizações também investem no próprio sucesso. Afinal, como vimos até aqui, as lideranças femininas têm muito a agregar ao ambiente corporativo.

Em última instância, empresas que contam com mulheres líderes também fortalecem sua reputação no mercado, atraindo talentos, parceiros e consumidores que valorizam práticas inclusivas e igualitárias.


Leia mais em:

Lei Igualdade Salarial
Principais definições sobre a Lei da Igualdade Salarial
Desenvolvimento da liderança: como o RH pode preparar novos líderes



COMPARTILHE ESSE CONTEÚDO:

LinkedIn
Facebook
WhatsApp
Email
Twitter

Increva-se em nossa Trilha de RH

Mais lidas